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  • Energia A inovação tecnológica necessária descortina um leque de oportunidades para geração de emprego e renda.
O fim da grande chance
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Antonio Carlos Porto Araújo*

A reunião da chamada 1ª Cúpula Energética da Comunidade Sul-Americana de Nações, que ocorre na Venezuela, onde participam Evo Morales, presidente da Bolívia; Nicanor Duarte, do Paraguai; o anfitrião venezuelano Hugo Chavez, Luiz Inácio Lula da Silva, entre outros chefes de estado sul-americanos, está sendo chamada por alguns ambientalistas de a reunião dos vendedores de petróleo. Alguns também estão dizendo que o Brasil perdeu a grande chance de liderar o encontro por ser o país que lidera tecnologicamente a mais promissora fonte de geração de energia renovável do futuro, o biocombustível.

Por outro lado, o anfitrião venezuelano surpreendeu sinalizando que não se opõe ao biocombustível e apresentou um plano de integração energética que inclui a construção de usinas de etanol ao lado das refinarias de petróleo. Hugo Chavez, apesar de sinalizar concordância com o etanol, teme que a produção de álcool em grande escala poderia prejudicar o cultivo de alimentos. Chavez também afirmou que voltará a importar etanol do Brasil. A Venezuela interrompeu em outubro do ano passado as importações do produto brasileiro.

Tenho certeza que o Brasil é um dos poucos países do mundo que pode conciliar os interesses de desenvolvimento com a obrigatoriedade de manter protegidas a biodiversidade e proteção ambiental. Um país cresce com a necessidade de suprir a alimentação de seu povo, e o Brasil possui além de terra, água para permitir a agricultura e pecuária com os maiores índices de produtividade, se comparadas às médias mundiais.

A fonte de energia é limpa – sua base na matriz hidrelétrica – é fator de competitividade em relação ao resto do mundo. O insumo eletricidade é questão primordial de soberania nacional e sua oferta é fator de tomada de decisão para investimentos. Ou seja, não cabe agora, buscar incompatibilizar o crescimento econômico necessário para o desenvolvimento do país, com a proteção ambiental. Ao contrário, cabe articular as políticas públicas para a indicação de um caminho compartilhado de desenvolvimento sustentável. Conclui-se, então, que sustentabilidade passa a ser a linha mestra e convergência das ações públicas e privadas.

Para o petróleo, apesar da busca intensa por fontes limpas de produção de energia, não se prevê uma desaceleração da demanda nos próximos anos, principalmente porque a substituição por outras fontes necessita de um prazo de tempo mais elástico. Tomando-se como exemplo o caso dos Estados Unidos que é um dos maiores produtores de etanol, a incorporação de 15% desse combustível nos automóveis significará na triplicação da produção atual. Além disso, o etanol americano é em sua maioria derivado do milho, com custo cerca de 30% superior ao álcool de cana do Brasil.

Como formas alternativas de energia, o líder venezuelano elogiou a que chamou de “revolução energética” a iniciativa de Fidel Castro, em Cuba, ordenou a troca de milhares de lâmpadas, ventiladores e eletrodomésticos velhos, que eram grandes consumidores de energia, por produtos mais econômicos. Seguindo esse exemplo Chavez substituiu milhares de lâmpadas incandescentes por outras que consomem cinco vezes menos.

Apesar dessa pequena e parcial solução econômica venezuelana, não podemos deixar de ver aquele país ainda como um grande produtor de commodities altamente responsável pela emissão de gases que provocam o efeito estufa: o petróleo. O grande interesse da Venezuela é vender o seu principal produto, o que é muito preocupante. É importante para a economia daquele país mas, ao mesmo tempo, não podemos chamar de solução energética para os países da América do Sul.

Empresas estão sendo beneficiadas pelas metas de reduções dos países desenvolvidos comercializando créditos de carbono. Os esforços voluntários são claramente benéficos ao meio ambiente, mas também há uma oportunidade de negócios aqui.

Ao estudar seus inventários de emissões de gases e examinar seus padrões de uso de energia, muitas empresas descobriram uma gama de possibilidades de redução nas suas emissões e nos seus gastos de energia que nunca antes haviam percebido. Isso passou a ser visto como uma oportunidade, não como um fardo ou um custo.

Alguns setores já se beneficiam ou se beneficiarão com oportunidades criadas a partir dos problemas climáticos do mundo. A agropecuária, com a produção de biodiversidade; construbusiness, com projetos arquitetônicos ambientalmente ecológicos, ecovilas, agrociclos; mercado automobilístico, com produção de biodiesel; negócios verdes, com áreas de preservação, ecoturismo, etc; comércio de créditos de carbono; energias renováveis como eólica, PCHs, biomassas; entre muitos outros.

Por isso o Brasil perdeu a grande chance de mostrar tudo isso e liderar a 1ª Cúpula Energética da Comunidade Sul-Americana de Nações.

Antonio Carlos Porto Araújo* é advogado, ambientalista, consultor da Trevisan e autor do livro “Como comercializar créditos de carbono”.
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