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Toda mudança é precedida de uma crise?
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Antonio Carlos Porto Araujo*

Nesse último ano o mundo financeiro sofreu uma expressiva crise, com onda de impacto avassaladora na economia real em pelo menos trinta países. Desde que o estrangulamento do sistema de crédito ocorreu, empresas e países tiveram de desencadear a maior corrida intervencionista jamais assistida na história para irrigação dos sistemas produtivos.
Enquanto o Brasil comemora sua escapada da ciranda recessiva, as lições decorrentes marcam novos caminhos para a regulação e sistemas de administração financeira e contábil.
Essas lições mostram que o adequado uso financeiro acelera o desenvolvimento integrado e sustentável estruturado no conhecimento – ciência e tecnologia – capaz de indicar caminhos perenes – criatividade e inovação – articulados no processo e na experiência de vida.
Ao mesmo tempo, tivemos certeza de que os excessos do último grande “boom” dos mercados globais provocou abusos que custaram trilhões de dólares para um número incalculável de investidores individuais (diga-se cidadãos) e institucionais, além de governos.
A insuficiente informação contábil e de transações relacionadas, caracterizada pela contabilidade de alto risco, permitiu desde atividades não registradas nos livros (off-the-books), até mesmo a ocorrência de transações suspeitas.
Ao contrário do Brasil que tem nos últimos 15 anos um sistema financeiro altamente regulado e fiscalizado, os Estados Unidos não mapeavam adequadamente os informativos dos bancos de investimentos, que “soltos” teceram mecanismos de alavancagem altamente temerários e irresponsáveis, gananciosamente articulados com inovações que induziam a uma falsa percepção de altíssimos lucros imediatos. Essa máquina de maquilagem enriqueceu os protagonistas durante uma frágil sustentação e levou ao desespero milhões de pessoas, extinguindo empresas e mitigando renda.
A característica dessa globalização financeira foi originada, sobretudo nos Estados Unidos, por um conjunto de políticas praticadas a partir da expressiva reversão da liquidez internacional em sua direção, iniciada em fins de 1979, como resultado da "diplomacia do dólar", obrigando o restante do mundo capitalista a liberalizar os fluxos internacionais de capital — chamada desregulação financeira.
Sabe-se que o sistema financeiro, principalmente bancos de investimentos, trabalha alavancado, significando dizer que os bancos operam com um capital próprio relativamente pequeno em relação ao montante de obrigações assumidas. Durante o auge da crise, ainda que as empresas não financeiras, de uma forma geral, também trabalhavam de forma alavancada, os bancos eram bem mais alavancados, com suas dívidas junto a terceiros (depósitos) tendo chegado, muitas vezes, mais que setenta vezes superior ao seu capital próprio.
Sendo assim, a característica específica que os bancos possuem de multiplicar moeda, através de operações de empréstimo sucessivas para cada unidade monetária nele depositada, ultrapassou todos os limites da razoabilidade, desencadeando os resultados já vistos e outros ainda não mensurados.
As instituições financeiras – e as bancárias, em particular – são especiais e mais suscetíveis às crises. A concentração da retirada de depósitos destas instituições, em um curto espaço de tempo, pode levar a uma crise sistêmica, ocasionando uma interrupção do sistema de pagamentos, levando a uma onda generalizada de inadimplência e quebra dos mecanismos de créditos existentes na economia. Com a retração excessiva do crédito, ter-se-ia a interrupção das atividades do setor produtivo não financeiro, ocasionando uma profunda recessão e a desorganização da sociedade.
O pós-crise indica que a transparência financeira e a governança corporativa formam parte de um processo irreversível, que afetará toda empresa que queira obter recursos do sistema financeiro, sejam dívida e capital, bursátil e privado, inclusive um simples crédito bancário. Portanto, os problemas no âmbito do sistema bancário merecem atenção especial das autoridades governamentais.

*Antonio Carlos Porto Araujo é consultor da Trevisan.
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